
Isto de entrar no universo feminino é um feito heróico para qualquer homem dito com eles no sítio, nada de homossexualidades neste texto que esses são mais femininos que muitas mulheres que conheço… adiante, nada como pensar oferecer algo ousado à mulher que dorme comigo todas as noites: uma lingerie. Devia ter batido com a cabeça na parede, certamente, se soubesse na embrulhada que me ia meter… pratico como sou, pensava que a coisa fosse, apenas, escolher entre um M ou um XL… certo? Não, errado, como foi demonstrado pela pesquisa que efectuei por essa internet fora, as copas são um problema. Números e letras, o atrofio total, porque existe peitos diferentes, com medidas diferentes, neste difícil e complicado mundo feminino.
36B, 32A, 34D, parece que andamos a jogar à batalha naval com um soldado zarolho do Suriname... vamos lá, então, à lição prática da coisa... o número corresponde ao tamanho das costas, a letra ao tamanho da copa. Dito assim até parece fácil, mas quando um jovem tímido resolve mergulhar no misterioso mundo da lingerie feminina e dá de caras com uma loja onde só se encontram mulheres, a coisa complica-se. Mais engraçado é olhar para um pedaço de pano e o mesmo se revelar um a autentico puzzle de 10.000 peças, perguntando se a mama da senhora caberá ali. Mesmo que leves um papelinho salvador com o numero e a letra correspondente ao tamanho da dita… mama, as coisas podem complicar-se, pois um 36B da marca X pode não corresponder um 36B da marca Y… até nisso os tamanhos não são universais… mais complicação… e se juntarmos a isso um determinado olhar frio e reprovador das mulheres à volta, como fosse um judeu numa festa de nazis, pior, espero a qualquer momento que me atirem a bóia de salvação e me tirem borda fora da loja.
Salta-me uma empregada solícita “Boa tarde, em que posso ajuda-lo?”, assim à queima-roupa, sem preparação, fico sem saber lá muito bem o que dizer… respiro fundo, digo que preciso de oferecer um lingerie, “Qual o tamanho?”… boa… muito boa… e agora? Sinto-me tentado a olhar para o peito da empregada e responder que é um pouco maior do que o dela, mas só apalpando é que posso avaliar, não é? Somos homens, só pelo tacto sabemos, não? “Qual o tamanho normal? Ou mais usual?”, a empregada ajuda-me “eu uso o 34B…”, agora sim, estou autorizado a olhar… tenho de tirar alguma vantagem do meu desconforto, não é? E com a vantagem de poder trocar a minha escolha durante 15 dias… mas para ter a certeza o ideal seria as empregadas deste tipo de loja fossem prestáveis e nos presenteássemos como uma espécie de “test-drive”: tiravam a roupinha e punham em cima da pele as nossas escolhas, soutien e cueca, para depois chegarmos a casa e se a nossa cara-metade nos perguntar como conseguimos acertar com as medidas nós respondermos que pusemos no cu da empregada da loja… pensando melhor é melhor não, aumentaria exponencialmente a violência doméstica e eu não quero aparecer com algo a menos… não, desisto, um perfume é muito mais fácil… isso ou levem a melhor amiga dela… dá jeito!
PS1 – estou de volta até ao Natal…
PS2 – sugestões para a mudança de “layout” do divã, há?
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Manual de Sobrevivência
.Postado por
VM
as
16:08
3
comentários
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Don’t waste your time with roses (.5)

[conto]
Estava numa festa em casa dos pais dele e aproximamos de uma janela, olhando para a rua, dizendo palavras doces no nosso silêncio. Quebrei eu, ao lhe perguntar qual era o carro dele, ele apontou para um Dodge creme, lembro-me tão bem como fosse hoje, achei horrível o carro, disse-lhe que parecia um carro de noivas, ele, atrevido, disse-me que seria o carro que me iria levar à igreja”, sorri a minha avó, envergonhada. Depois de 23 horas de viagem, ouvir as histórias da minha avó tinha sido algo que não me tinha passado pela cabeça, pensava que haveria choro pela morte que rondava, coisas habituais que estava já habituado a outros… mas não… e voltei a minha atenção para ela, quando ela me disse que esteve quase morta… “foi quando o namoro acabou, o meu pai, teu bisavô, deixou-me de falar e eu, revoltada, tomei um frasco de comprimidos…”, conta-me com um brilho no olhar, “Não se podia dizer que eu me tinha tentado matar-me, então foi dito que fui para uma clínica porque tinha apendicite... e os meus pretendentes foram lá visitar-me, o meu ex e o meu futuro marido, teu avô”, conta-me feliz, “E foi ai que apercebi-me quem queria, quando o teu avô me pegou na mão e disse-me para eu não morrer porque ele morreria comigo, porque era linda, porque me amava… logo ai jurei amor a ele, casamos ao fim de 4 meses de namoro. Mas, meu querido, não te choques, não fui virgem para o casamento”, a minha avó estava louca, reencontra-me passados 29 anos e solta-lhe as memórias, enfrento-a com a minha inquietação “Sabes meu querido, de certa maneira foste a minha memória viva, chamei-te porque tinha de te ver, saber como eras, como estavas, contar-te as minhas histórias, porque para mim serás sempre aquele menino pequeno de caracóis louros…”, sorri envaidecido, “Não queria dar a minha virgindade por uma assinatura num contrato e, no dia dos meus anos, fomos até à casa do teu avô. Lembro-me da luz que entrava pela janela, com os ramos a bater no vidro, Sinatra a tocar, um “slow” calmo, despimo-nos lentamente, seduzi-o… foi muito bom, era algo que já queria à muito e disse-lhe que só casava comigo se quisesse, não precisava de casar para levar o premio. O teu avô foi marcar a data no outro dia, mas eu o avisei, que não queria um marido, mas sim um homem…” ria-se, logo encolhida pelas dores, “Coitado, todos os anos, pela data do nosso casamento, o teu avô me perguntava se agora já era um marido, eu sempre lhe disse que ainda não… coitado… e sabes, foi mesmo o Dodge creme que me levou à igreja…”… calou-se, soltando uma lágrima, “Tenho tantas saudades do teu avô…”. A enfermeira de serviço acabou por entrar e estragar a atmosfera íntima que se tinha criado, estava na hora de partir, de deixar a minha avó descansar, “Amanhã voltas?”, “Sim avó”, “Mas não percas tempo com rosas… vem apenas tu…”
[fim]
PS – Vou deixar-vos, partindo de ferias por uma semana, voltando na primeira semana de Dezembro… até lá consumam o divã e leiam, igualmente, os meus outros “bloggers” favoritos. Até Dezembro, um valente abraço ou um doce kiss… é só escolher!
.Postado por
VM
as
9:03
6
comentários
Labels: contos
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Don’t waste your time with roses (.4)

[conto]
Acabei por sorrir, passados tantos anos reconheceu-me. Mas eu não a reconheço, apesar da sua alegria, o rosto indiciava morte, a barriga, enorme, indiciava morte, o relatório médico indicava morte, em termos técnicos. A minha avó estava a morrer, mas queria ver o seu menino dos caracóis pela última vez. Separava-nos 29 anos de distância, de saudades, de emoções. “Rosas? Para quê? Estou a morrer meu querido, não deverias ter trazido flores para uma moribunda…”, sorri, comecei do zero, da portela de há 29 anos atrás. Falamos… falamos imenso, a tarde já caminhava de mão dada para a noite, altura de confidências. “Queria tanto fumar… o teu avô não me deixava fumar ao pé dele”, e eu também não. Olhou-me nos olhos, “Conheci o teu avô quando tinha 17 anos”, sorri envergonhada, senti-me quase um intruso, apanhado a roubar na intimidade da minha avó.
“Tinha, aos 15 anos, um namorado de boas famílias, frequentávamos a casa de um e do outro. Uma menina como eu tinha o casamento garantido”, jurava ela, minha avó sempre tinha tido as emoções à flor da pele e o coração demasiado perto da boca, “… mas não gostava dele, não era aquele o homem da minha vida…”, o namoro tinha durado mais 4 anos, dos 15 aos 19”. Aos 17, sorri malandra, conheceu o meu avô… ou melhor o meu futuro avô, com 23 anos, achou graça àquela criatura linda e loura, que sorria para a vida e tinha pouca paciência para conversas de mulheres.“
[continua...]
.Postado por
VM
as
10:02
2
comentários
Labels: contos
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Don’t waste your time with roses (.3)

[conto]
“Hotel Ritz, por favor!”, atirei eu ao taxista o nome de um hotel, dos vários que tinha pesquisado na internet. Acabei por fazer reserva neste, central, Lisboa para mim era uma vaga recordação de infância, do cheiro do mar e da maresia, claro está. Acabo por sorrir com os meus pensamentos, estou numa cidade desconhecida para mim, homem adulto, conhecida da criança que fui. Percorri, em 23 horas, 37 anos de episódios da serie da minha vida. E lavo resquícios do que sobrava da Austrália, de Singapura, de Londres, desaparece tudo pelo ralo da banheira, visto-me e respiro Lisboa, o encontro que não podia adiar. Saio para o átrio do hotel, comprado rosas no quiosque que se encontra perto do bar, “vintage” dizem, peço um whisky para me acalmar. Dai a pouco estou metido num táxi a caminho do hospital, local de rostos fechados e olhares tristes, nunca se sabendo em que estado saímos dali. O meu bilhete dizia para me dirigir à Oncologia, cama 32, ala esquerda. Caminhava em corredores característicos para mim, cheiros conhecidos, olhares perdidos pedindo à morte que chegue depressa. Esperava vê-lo quando cruzei a porta, mas não vi o meu pai, nem sei bem se o reconhecia, mas também não o queria encontrar. Rostos que me fitaram… “o meu menino” solta uma voz acompanhada por uma lágrima, “perdestes os teus caracóis”, era a minha doce avó.
[continua...]
.Postado por
VM
as
13:23
3
comentários
Labels: contos
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Don’t waste your time with roses (.2)

[conto]
Acabei por crescer, enfrentando o mundo com borbulhas na cara. E quando a minha mãe faleceu, de cancro, em 1988, resolvi ser médico, queria salvar o mundo, eliminar maleitas ou aliviar o sofrimento. A minha mãe, no seu arrastado português, costumava dizer que cada um tinha tido aquilo que merecia… achava isso injusto, e mais injusto achei quando ela sofreu o que sofreu com a sua doença, ela não merecia tal castigo, por muito que tivesse feito. Acabou por me confessar, no seu leito de sofrimento, que ainda tinha saudades do meu pai, mesmo passado tantos anos mantinha algum contacto com ele por correspondência, foi assim que ficou a saber que o meu avô tinha falecido… e que em breve ela iria juntar-se a ele, obrigando-me a chorar já de saudades, não queria dizer um “até sempre”… mas disse-o, quando ela, finalmente, se libertou da sua dolorosa prisão.
O tempo cicatriza a minha saudade… saudade daqueles que amei em tempos e que, de uma maneira ou outra, obrigaram-me a separar-me deles. Um telegrama, numa manhã destas, aos 37 anos, fizeram-me abrir a ferida. A minha avó paterna pedia a minha presença na saudosa Lisboa, pois queria ver-me antes de dar o último suspiro, telegrafou o meu pai. Imaginou-o numa dolorosa cruzada consigo mesmo: telegrafar a um filho que não vê à 29 anos, fazendo cumprir a ultima vontade de sua mãe. E eu encontro-me numa dolorosa cruzada, tanto tempo que nos separa, tanta palavra que ficou por ser dita…
[continua...]
.Postado por
VM
as
10:27
0
comentários
Labels: contos
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Don’t waste your time with roses (.1)

[conto]
As 23 horas de avião, com demasiadas escalas, com demasiadas recordações, a que me foi obrigado, criaram em mim uma certa melancolia sombria, à chegada à Portela. Já não me lembrava dela… quando daqui foi arrastado tinha apenas 8 anos, minha mãe apertou-me a mão, para não fugir do que me tinha destinado para mim, uma vida longe do meu pai, depois de um conturbado divórcio, em vésperas da revolução dos cravos. Ninguém se divorciava naquele tempo, a minha mãe era vista como uma vadia, apontada na rua. A minha avó paterna, muito à frente no seu tempo, acolhia-me no seu regaço quando eu tinha saudades de colo e de bolachas, afagando-me os meus caracóis loiros que eu possuía, com um olhar terno, doce. Sofria… sabia que podia deixar de ver o seu menino de caracóis loiros, uma mancha demasiado negra na sua fantástica vida, desde que nascera, em que conhecera o meu avô, se casara, tivera o meu pai, viu-me nascer a mim, uma vida rica de luz e alegria. Sempre sorrindo… que se apagou naquela manhã cinzenta de chuva, quando a minha mãe se fartou dos olhares recriminadores, de bocas indesejáveis, da inveja alheia, agarrou em mim e nos valores, pagou dois bilhetes para a Austrália, de onde tinha família, e cortou o cordão umbilical com tudo o que envolve-se Salazar, Pátria, Fátima, Eusébio, Amália, PIDE, ex-marido, minha avó e o meu avô, Lisboa, Portela… são as últimas recordações que possuo, sei que chorava, como a dizer um “até sempre” a tudo. Nunca mais vi o meu pai, nem os meus avós… conheci outra cultura, num país de língua estranha, mas de sol e praia que me fazia lembrar o gelado que comia em Carcavelos, cada vez que me levavam lá para brincar com a minha pá e balde, na praia, no tempo em que os meus pais sorriam um para o outro.
[continua...]
.Postado por
VM
as
10:36
2
comentários
Labels: contos
sábado, 14 de Novembro de 2009
Pela montanha abaixo pela quarta vez
Pela quarta vez subi a montanha… e agora preparo-me para a descer. O meu quarto conto, intitulado “Don’t waste your time with roses” é, uma espécie de agradecimento a todos os meus leitores, principalmente aqueles que tem paciência para ainda continuarem comigo. Por isso resolvi escrever algo bonito, sensual, que viaja um pouco pelo tempo. Serão cinco “posts” a começar na 2ª feira e a acabar na 6ª feira. Uma bonita história dividida em cinco partes, voltando o divã à sua função daqui a duas semanas. Peço a todos os leitores que apenas comentem o conto no último “post”, na 6ª feira.
Obrigado.
.Postado por
VM
as
16:18
0
comentários
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
cu prá lua

Vejamos… a expressão “nasceu com o cu virado para a lua” significa ter muita sorte e geralmente atribuímos a alguém que nada faz e lhe aparece tudo à mão: o melhor carro; a melhor namorada; o melhor emprego; o melhor ordenado; etc. Geralmente passamos a vida a dizer que este tipo de pessoas obtêm tudo de mão beijada e não sabem o que custa a vida, geralmente filhos de administradores, que, curiosamente, ocupam já, desde novos, lugares de chefia/decisão, sem lhes conhecer muito bem cursos ou algo genial que os leve a ocupar tais cargos. Para estes, os que estão em baixo são pobres, não tem formação, preguiçosos, bem pagos para a tarefa que desempenham, invejosos da posição que estes mesmos ocupam. Apenas eles são seres iluminados, sempre possuindo a razão. E nem adianta tentar ter uma conversa minimamente inteligente, porque apenas eles conhecem a “luz” da sabedoria. E se não ouves música alternativa, mix fm, last.fm ou cenas assim, então não estás ao nível destas pessoas, sempre “in” e tu… “out”.
Embirro com pessoas assim… logo para começar a expressão “nasceu com o cu virado para a lua” causa-me pele de galinha… do cu não vem bom vento nem bom casamento (ok, tirei a parte de Espanha do provérbio, era para fazer uma piada, mas agora que eu penso um pouco pode realmente dar bons casamentos, depende do que a pessoa faz (ou deixa) debaixo dos lençóis…) e o que vem fica a jeito de ser tratado por um ETAR, passível de se transformar em húmus. Da lua a única coisa que me faz lembrar é queijo… dos mal cheirosos. Portanto a combinação dos dois faz-me lembrar Carnaval e ovos podres… e toda a gente sabe que no Carnaval nada é levado a mal. Eu só não levo a mal o samba… tudo o resto dispenso. Bem como pessoas assim, que geralmente não sabem sambar e abominam esse tipo de divertimentos.
O problema é quando um ser assim, iluminado, que “nasceu com o cu virado para a lua”, critica uma colega minha por ela ter feito um “Euromilhões” com uma empregada de limpeza, por sinal uma senhora que podia ter idade para ser mãe dele, com a desculpa que a senhora da limpeza, em caso de premio, pudesse fugir com o dinheiro, mostra mesmo o quanto este tipo de pessoas, de elevada grife, é mesquinha. Tudo porque a empregada de limpeza ficou com o talão, não vá a dita pisgar-se daqui com uma elevada soma de euros e deixar a minha colega mais pobre dois euros. E eu acredito, tal e qual como a minha colega, que existem pessoas honestas… mesmo que sejam profissionais da lixívia. Ou na arte de sambar.
Pobres espíritos!
.Postado por
VM
as
18:10
13
comentários
_PB.jpg)